domingo, 4 de março de 2012

O Carrasco do Amor (Dr. Irving D. Yalom)

Autor do best seller "Quando Nietzche chorou", em "O Carrasco do Amor", Dr Irving D. Yalom relata os casos de 10 pacientes que buscaram terapia pelos mais diversos motivos - solidão, impotência, depressão, obesidade - e no decorrer do tratamento se debateram com a dor existencial.

Segundo ele, toda terapia consiste em evocar o desejo - o querer de cada um:
"Eu quero de volta minha filha morta."
"Eu quero toda mulher que vejo."
"Eu quero os pais, a infância que nunca tive."
Descobrir o querer e enfentar as dores que marcam sua vida é a chave para um maior sucesso na cura da angústia .
Por meio dessas histórias verídicas, Dr.Irving demonstra que é possivel enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu poder para a mudança e o crescimento pessoal.
Mesmo com autorização expressa dos pacientes para publicação de suas histórias, o autor teve o cuidado de camuflar um pouco, mudando características, de forma a proteger suas identidades.
E ainda que seja ele o psiquiatra, também se debate com dificuldades em atender alguns casos, enfrentando seus próprios medos e preconceitos, como na terapia de Betty, descrita no conto intitulado " A Mulher Gorda".
Betty chegara ao consultório solitária, deprimida e pesando 115 kg. A primeira impressão por parte de Dr. Irving foi de afastamento: "Ela se sentava alta na cadeira como se estivesse sentada em seu próprio colo. Seria possível que suas coxas e nádegas fossem tao infladas que os pés teriam de ir mais longe para alcançar o chão?"
Tendo aversão a pessoas obesas, o médico revela que precisou vencer suas próprias dificuldades para admirar - e abraçar - a Betty que acabou surgindo ao longo do tratamento, durante o qual perdeu mais de 35 kg.
No conto que dá nome ao livro, "O Carrasco do Amor", Dr. Yalom se desdobra para entender o enigma de Thelma, que aos 70 anos de idade, cabelos amarelos despenteados, e tremor senil no queixo, confessava estar perdidamente apaixonada por um homem 30 anos mais novo, seu antigo terapeuta - que nao via há oito anos.
" O amor deThelma era monstruosamente desequilibrado, não continha nenhum prazer; sua vida era um completo tormento". E mais à frente:
" Havia algo de incongruente na ideia de uma mulher desgrenhada de 70 anos de idade, apaixonada, doente de amor. Ela sabia disso, eu sabia disso e ela sabia que eu sabia."
A terapia de Thelma acaba dando um resultado positivo, mas não da forma como o médico esperava.
"Se o estupro fosse legal" conta a história de Carlos, um paciente divorciado, solitário e debilitado, que lutava contra um linfoma raro, agora em estágio teminal. Amargurado, Carlos buscava desesperadamente uma esposa, enquanto repelia a aproximação das pessoas pela acidez de seus comentários.
Durante o atendimento, Dr Irving se depara com uma das mais difíceis situações e enigmas enfrentados por psiquiatras: "Que sentido faz falar sobre tratamento ambicioso com alguém cujo periodo de vida previsto talvez seja, na melhor das hipoteses, uma questão de meses?"
A resposta viria no decorrer do tratamento: o paciente sarcástico e ansioso deu lugar a um homem sereno e agradecido que acabou criando um grupo de terapia para outros pacientes com câncer.
Carlos não só assumiu e enfrentou a inevitabilidade da morte, como também deu ao seu terapeuta "o maior presente" que ele poderia receber."Quando eu o visitei no hospital ele estava tão fraco que mal conseguia se mexer, mas ergueu a cabeça, apertou minha mão e sussurrou:  - Obrigado por salvar a minha vida."
Em "Morreu o filho errado", Dr. Yallom trata de Penny, 38 anos, uma mulher divorciada, robusta e envelhecida que perdera a filha com leucemia, pouco antes de fazer 13 anos, após 4 anos de sofrimento. Com mais dois filhos adolescentes (ambos desajustados), ela se separara do marido e congelara sua tristeza, sem conseguir lidar com a dor da perda. Como efeito do atendimento, ela revela que se sentia culpada por não se lembrar da morte da filha e por não ter podido ajudá-la na hora da partida, porque se recusava a deixá-la ir embora.
"A pior coisa que se pode fazer a alguém é a morte solitária. E fora assim que ela deixara sua filha morrer. "
No processo de terapia, Dr Yalom se divide entre entender a dor de Penny  -"É crime manter a esperança ? Que mãe quer acreditar que a filha tem de morrer?" -  e, ao mesmo tempo, ajudar a paciente a recompor sua vida, livrando-se da culpa.
" Perder um filho é perder o futuro. O que é perdido nada mais é do que o projeto de vida,"
"Deixá- la partir nao é o mesmo que esquecê-la e ninguem está te pedindo pra desligar um interruptor."
Pouco a pouco, a paciente conseguirá verbalizar o que tanto a deprime: "Eu tive 3 filhos, um deles era um anjo e os outros dois- olhe para eles - um na cadeia e outro viciado. Eu tive 3 filhos e morreu o filho errado."
Por meio de histórias como as de Thelma, Carlos, Betty e Penny, com as quais, muitos poderão se identificar, Dr Irving revela para os leitores como funciona a relação paciente- psiquiatra, sem medo de expor sua própria fragilidade, preconceitos, temores e erros.
Útil tanto para profissionais como para qualquer pessoa interessada na natureza humana, "O Carrasco do Amor" conta história de gente que enfrentou seus demônios e medos para descobrir um significado para sua vida.

"O Carrasco do Amor"
Dr. Irving D. Yalom
Ediouro
2007

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Goodbye, George.

Há alguns meses, eu publiquei aqui no blog uma resenha sobre a obra “Um Livro por dia” (no original “Time was soft there”), de Jeremy Mercer, na qual ele relata sua experiência na Shakespeare and Company, pitoresca livraria situada no coração de Paris, ponto turístico obrigatório de toda pessoa que tem paixão por livros.

A resenha - e o livro - encantaram muita gente, não exatamente pela história contada pelo autor, que no fim dos anos 80 passou uma temporada na livraria, mas pela proposta do seu fundador, George Whitman: durante mais de meio século ele recebeu escritores e artistas pobres em sua charmosa livraria-hospedaria. Em troca, cabia aos hóspedes realizar pequenos serviços, produzir ali uma obra e ler “um livro por dia.”
Hoje, tardiamente, recebi informação do site da livraria (http://www.shakespeareandcompany.com/) de que dia 14 de dezembro passado o velho George escreveu o último capítulo de sua vida.

Ele, que continuou lúcido e lendo até o fim, em companhia de sua filha, Sylvia Whitman, seu cão e seu gato, acabara de completar 98 anos.
Todos sabiam da inevitabilidade do fato- era um senhor quase centenário e sua filha já assumira há anos o comando da Shakespeare and Company, onde Whitman ainda residia.
No entanto, não posso deixar de sentir uma pontinha de tristeza por saber que jamais terei a oportunidade de apertar a mão desse sonhador, excêntrico e enigmático que tanto contribuiu para o surgimento de grandes talentos da literatura contemporânea.
Rest in peace, George. And thank you.


O e-mail enviado pela S&C:

A new year has begun and on the first day of 2012 a double rainbow appeared over Notre Dame which was a spectacular start. We'd like to extend an enormous thank you for all of the support and love and messages of condolence after the passing of George Whitman, the founder of Shakespeare and Company. George touched the lives of so many book-lovers around the world. At the end of December, after his funeral at Père Lachaise, there was a joyful celebration of his life at the bookshop accompanied by music and stories from some of the many people who loved him.
As George said 'When I opened my bookstore in 1951 this area in the heart of Paris was a slum with street theatre, mountebanks, junkyards, dingy hotels, wine shops, little laundries, tiny thread and needle shops and grocers. Back in 1600 in the middle of this slum our building was a monastery with a frère lampier who would light thelamps at sunset. I seem to have inherited his role because for 50 years now I have been your frère lampier - the lamp-lighter who is hoping that someone else will come along to carry on his mission.'
George's daughter Sylvia is carrying on his mission.


O site da Forbes Magazine também dedicou, dia 28/12, longa matéria ao genial maluco, que se identificava com um personagem de Dostoyewsky e que se transformou no “mais famoso livreiro do mundo”.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Nelson Rodrigues, O Anjo Pornográfico (Ruy Castro)

Como afirma Ruy Castro, logo na introdução de "O Anjo Pornográfico", não há jeito de contar a história de Nelson Rodrigues (1912-1980) e de sua família, a não ser em forma de romance. Com lances trágicos e rocambolescos, sua vida consegue superar até mesmo a ficção que ele levou para os livros e peças de teatro, com toda crueza e fascínio capazes de existir na vida como ela é.
Nesta excelente biografia, o autor preocupa-se, não em analisar criticamente a obra desse grande intelectual, mas as circunstâncias em que ela foi produzida. Ou seja, os bastidores, o cotidiano, o pensamento, as emoções que inspiraram a vida de um dos nossos mais famosos - e polêmicos - escritores e dramaturgos.
Para Ruy Castro, Nelson era mais que um homem de teatro. Se houve um palco principal em sua vida, seriam as instalações do jornal. Ou até mesmo as ruas - especificamente do Rio de Janeiro dos anos 40, 50, 60.
Ninguém melhor do que ele para retratar o dia a dia comum de gente comum, com todas as suas imperfeições, obsessões, medos, taras e paixões.
Pagou um preço. Foi chamado de tarado durante anos. E no fm da vida, de reacionário. Foi perseguido pela direita e pela esquerda. Por cristãos e ateus. Porém, seu talento era inquestionável.
Para escrever O Anjo Pornográfico, Ruy Castro realizou centenas de entrevistas com pessoas que conheceram intimamente Nelson Rodrigues e sua família, cujos dramas mais parecem folhetins. Quinto filho dos 14 de Mário Rodrigues e Maria Esther, Nelson nasceu no Recife. Seu pai, letrado e leitor voraz, conciliava atividades políticas e jornalisticas. Depois de várias incursões na política e em jornais do Recife, acabou indo parar no Correio de Manhã, no Rio de Janeiro, para onde sua esposa o seguiu, já com uma escadinha de filhos.
Nelson começou a frequentar a escola e aprendeu a ler "quase de estalo". Mas o que chamava a atenção sobre sua figura era "sua cabeça enorme, desporporcional ao tronco." Aos oito anos, no segundo ano primário, a professora quase deixou cair os óculos ao ler a redação do menino: um caso de adultério onde o marido, ao chegar em casa, encontra a esposa nua na cama e um vulto saindo pela janela.
Essa temática estaria presente em toda a obra de Nelson. Mas antes disso, ele passaria anos trabalhando em jornais. Primeiro, os do seu pai, A Manhã (tinha apenas 13 anos e meio) e Crítica, onde também teriam cargos seus irmãos Mário Filho, Milton e Roberto. E posteriormente, em O Globo, de Roberto Marinho. Ainda em A Manhã, Nelson em pouco tempo tornou-se editorialista, ao lado de Monteiro Lobato e Agripino Grieco.Tinha 16 anos.
O jornal "Crítica", fundado por seu pai em 1928, tinha um editorial mais agressivo, cujo lema era "Declaramos guerra de morte aos ladrões do povo". O forte eram as fotos dos políticos com as cabeças distorcidas. Mas tinha uma tendência de dar ênfase tanto a fatos políticos, quanto a ocorrências criminais, sempre em tons apelativos. Certo dia, quando o jornal se excedeu no tema ao anunciar um rumoroso caso de desquite, a redação tornou-se palco de um crime.
Pior: o assassinato de um membro da família Rodrigues.
No dia 27 de dezembro de 1929, Sylvia Seraphim adentrou a redação procurando por Mário Rodrigues ou qualquer um de seus filhos. Ao ser atendida por Roberto, desferiu um tiro que alojou-se em sua coluna. Ele morreu dias depois, deixando a familia desolada. Foi a primeira grande tragédia da vida de Nelson. 67 dias depois, seu pai Mário Rodrigues, que jamais se recuperara do golpe, morre de derrame.
Esses dois acontecimentos dão o tom do que seria a vida de Nelson dali para a frente. Junto com outros jornais, o dos Rodrigues foi atingido pelo "empastelamento", na Revolução de 30, tendo que fechar as portas. Para se recuperarem do baque financeiro, Mário Filho e Nelson vão trabalhar no jornal O Globo, de Roberto Marinho. Com a familia passando dificuldades na ditadura de Getúlio Vargas, a saúde de Nelson se fragilizou e anos depois, ele contrairia uma tuberculose que o acompanharia por 15 anos, além de várias outras complicações. Nos periodos em que se internava em sanatórios para se tratar, nunca deixou de receber seu salário no jornal O Globo.
Entre uma e outra internação, casou-se com a jovem Elza, que conhecera no jornal. Tanto a família dela quanto o próprio Roberto Marinho se opunham ao casamento. A mãe dela, porque ele era pobre e "não tinha onde cair morto". Marinho, porque apesar de brilhante, considerava o jovem Nelson "preguiçoso e doente". Não adiantou. Casaram-se secretamente no Civil até que família dela concordasse com o casamento religioso.
Trabalhando em dois jornais, Nelson começou a enveredar pelo caminho do teatro.
Escreveu A Mulher sem Pecado, que conseguiu boas críticas, e em seguida, Vestido de Noiva,  essa sim, uma  revolução e um marco no moderno teatro brasileiro. Produziria outras grandes obras, como Beijo no Asfalto, Bonitinha mas Ordinária e os Sete Gatinhos. Paralelamente, manteve suas célebres colunas em O Globo e Última Hora (de Samuel Wainer). Publicou livros de crônica e romances como "Asfalto Selvagem" e "O casamento". E acabou se envolvendo com outra mulher, Lúcia. Ao separar-se de Elza para casar com o novo amor, tinha 49 anos e filhos já adultos. Ele e Lúcia tiveram uma filha, Daniela, que nasceu com um grave problema, cega e condenada a viver sobre uma cama. Mais um entre tantos dramas que permearam a vida do grande autor. Anos depois, ele retomaria o casamento com Elza, com quem viveu até os últimos dias.
A riqueza de detalhes com que Ruy Castro nos conta a trajetória e o legado deixado por Nelson Rodrigues para a cultura em nosso país, nos faz conhecer não apenas o biografado, mas inúmeros personagens fascinantes que fizeram parte de sua existência, como seu pai Mário Rodrigues, o irmão Robeto, pintor e ilustrador precocemente morto, o genial Ziembinski, o poderoso Roberto Marinho e a igualmente polêmica Dercy Gonçalves.Tudo tão intenso que os retratados parecem velhos conhecidos nossos. Mas nenhuma descrição supera a da persona Nelson Rodrigues, que até o fim da vida  dividiu opiniões entre os que o amavam e o odiavam. Sua obra, porém, não deixa dúvidas sobre a grandiosidade de seu talento.
Talvez a melhor definição de sua personalidade tenha vindo mesmo do próprio Nelson:
"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico”.

O Anjo Pornográfico
Ruy Castro
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1992

O polêmico Nelson Rodrigues:

“Invejo a burrice, porque é eterna”

“O brasileiro é um feriado”

"A fidelidade devia ser facultativa."

“Só o inimigo não trai nunca”

"Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava"

 "Toda unanimidade é burra."

O autor:
Nascido em 1943, em Caratinga, MG, Ruy Castro atuou a partir de 1967 em importantes veículos da imprensa do Rio e de São Paulo e iniciou a produçao de livros em 1988. Reconhecido pela produção de biografias, como "Estrela Solitária" (sobre Garrincha)  e "Carmen" (Carmen Miranda), além de obras de reconstituição histórica, como "Chega de Saudade" (sobre a Bossa Nova) e  "Ela é Carioca" (sobre o bairro de Ipanema).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida.

Imagine-se fazendo uma visita a uma família pobre na região montanhosa da China, no momento em que uma mulher está em trabalho de parto. Pouco depois do choro da criança, você ouve vozes abafadas de adultos desapontados. E logo mais, vislumbra um bebezinho agonizando numa bacia de água suja, abandonado pela parteira. Essa é uma das dramáticas experiências descritas pela jornalista e escritora chinesa Xinram no comovente livro “Mensagem de uma Mãe Chinesa Desconhecida”, publicado pela Companhia das Letras. Trata-se de um apanhado de histórias verídicas recolhidas pela autora, conhecida por obras que revelam ao mundo peculiaridades da cultura de seu país.
Ela começou a coletar esses relatos em 1989, quando apresentava o programa de rádio “Palavras na brisa noturna” e uma ouvinte, que se autointitulava “Waiter, uma mãe em agonia”, escreveu contando sua história. Anos depois, já radicada em Londres, decidiu reunir em um livro testemunhos semelhantes, de mães que tiveram que abrir mão de suas menininhas. Juntamente com o depoimento de duas oficiais de adoção - Mary Verde e Mary Vermelha -, e uma velha parteira, as histórias traçam um retrato brutal da política do filho único na China.
Ao leitor, é bom que se alerte – são histórias impressionantes e assustadoras. Impossível lê-las,sem um sentimento de angústia e indignação por tantas vidas desperdiçadas.
Necessidade premente nos anos 80, para conter o aumento populacional, a política do filho único gerou resultados catastróficos. Numa cultura que acredita ser “dever sagrado” da mulher produzir um herdeiro homem, a imposição acabou abrindo uma ferida incapaz de ser fechada. Crianças abandonadas por seus pais em estações de metrôs e orfanatos, entregues à própria sorte. Ou ainda, sufocadas ao nascer, pelo simples fato de serem meninas.
“As mulheres chinesas, desde o inicio dos tempos jamais tiveram direito a suas próprias historias. Elas viviam na camada inferior da sociedade. Esperava-se delas obediência inconteste e elas não tinham meios de construir a própria vida. Isso se tornara tão natural que a maior parte das mulheres só desejava duas coisas: não dar a luz filhas mulheres nesta vida e não renascer como mulher na próxima.”
Sendo ela mesma uma órfã de pais vivos, pois cresceu em internatos e não se lembra de ter comemorado sequer um aniversário com eles, ocupados demais em servir a Revolução Cultural, a impressão que se tem é que esse livro serve também para a autora acalentar o próprio coração.
Em meio a casos que beiram a tragédia, perguntas sem resposta e feridas que não cicatrizam, talvez não importe tanto se essas mensagens alcançarão a menina certa ou se conseguirão aplacar a dor eterna dessas mães.
O importante mesmo é que a historia delas foi escrita.

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida.
Autora: Xinram
Tradutora: Caroline Chang
Editora: Companhia das Letras
Publicação: 2011
Páginas: 272