- Maira? Mara? Mariá?
- Não... É Mária mesmo, feminino de Mário.
Invariavelmente a pessoa fazia uma expressão de surpresa:
- Ah, que diferente!
Em documentos variados, sempre vem a tal Maria me atormentar. No telemarketing então, é inevitável:
- Queria falar com a Senhora Marííía Lacerrrrda?
Mas houve um momento em que fiquei muito, muito orgulhosa do meu nome. Tinha eu meus 11, 12 anos de idade, quando descobri o poema Canção de Muitas Marias, do nosso maravilhoso poeta modernista Manuel Bandeira.Como se não bastasse a infinidade de belos poemas com que Bandeira nos brindou, a mim, sem querer, ele me deu esse presente, falando o que eu gostaria de dizer a alguns incautos personagens: "Mária digam por favor".
Canção de muitas marias
Manuel Bandeira (Lira dos Cinqüenta anos)
Uma, duas, três Marias,
Tira o pé da noite escura.
Se uma Maria é demais,
Duas, três, que não seria?
Uma é Maria da Graça,
Outra é Maria Adelaide:
Uma tem o pai pau-d’água,
Outra tem o pai alcaide.
A terceira é tão distante,
Que só vendo por binóculo.
Essa é Maria das Neves,
Que chora e sofre do fígado!
Há mais Marias na terra.
Tantas que é um não acabar,
- Mais que as estrelas no céu,
Mais que as folhas na floresta,
Mais que as areias no mar!
Por uma saltei de vara.
Por outra estudei tupi.
Mas a melhor das Marias
Foi aquela que eu perdi.
Essa foi a Mária Cândida
(Mária digam por favor),
Minha Maria enfermeira,
Tão forte e morreu de gripe,
Tão pura e não teve sorte,
Maria do meu amor.
E depois dessa Maria,
Que foi cândida no nome,
Cândida no coração;
Que em vida foi a das Dores.
E hoje é Maria do Céu:
Não cantarei mais nenhuma,
Que a minha lira estalou,
Que a minha lira morreu!

Um dos nomes mais importantes do modernismo no Brasil, faleceu no ano 1968.
(Fotografia extraída do site http://recantodasletras.uol.com.br)
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